Quando os pobres defendem os interesses dos ricos

Posted: quinta-feira, 8 de outubro de 2009 by aldo_junior in Marcadores:
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Quando pobres defendem interesses de ricos
Quando vemos pobres defendendo interesses de ricos, identificamos aí o que Marx chama de ideologia. A burguesia, para manter o mundo em que domina da forma como está, apresenta os seus próprios interesses como sendo interesses gerais, de toda a sociedade. E muita gente pobre, mas principalmente a classe média, não sofrendo com a miséria e aspirando o modo de vida burguês, compra esse discurso e o repete na forma de uma sabedoria de papagaio. Marx e Engels expressam o primeiro ponto da seguinte forma:

"... cada nova classe que ocupa o lugar da que dominava anteriormente vê-se obrigada, para atingir seus fins, a apresentar seus interesses como sendo o interesse comum de todos os membros da sociedade; ou seja, para expressar isso em termos ideais; é obrigada a dar às suas idéias a forma de universalidade, a apresentá-las como as únicas racionais e universalmente legítimas." (MARX, ENGELS, 2005, p. 53)

Mas como não poderia deixar de ser, essa superficialidade da sabedoria de papagaio nunca resiste a alguns pedidos de explicação.

Cito um exemplo. Quando conversamos com pessoas ideologicamente subjugadas sobre alguns problemas sociais graves, como a fome ou a dificuldade (ou até mesmo a impossibilidade) de milhões de pais trabalhadores em colocar comida na mesa para uma família com quatro filhos e custear-lhes a educação, alguns papagaios burgueses respondem: "Se não podem ter filhos, que não tenham. Eles deveriam fazer planejamento familiar."

Vejam que incrível! Ao invés de apontar as causas do problema social da desigualdade, dos baixos salários, etc, o problema é tranferido para o trabalhador que não faz "planejamento familiar". Para o burguês, essa lógica é muito simples: se você não tem dinheiro para ter filhos, não os tenha.

E pedem isso para pessoas que, muitas das vezes, não sabem nem ler. Indivíduos que não podem pensar no futuro porque estão ocupados demais pensando no que vão comer na próxima refeição.

Um outro exemplo é a forma como o panfleto Veja, instrumento burguês, demoniza setores excluídos e movimentos sociais. Há algum tempo ela veiculou uma matéria fascista sobre moradores de ruas ("Profissionais da esmola", edição 2.126), os quais, em resposta, organizaram uma manifestação e queimaram exemplares do panfleto na Praça da Sé, no centro de São Paulo. Em uma "reporcagem" mais recente ("Por dentro do cofre do MST", edição 2128), novamente ela deu chifres, rabo e tridente a um movimento social: o MST.

Para a classe dominante e seus veículos de propaganda ideológica, simplesmente evita-se pensar em problemas como dos exemplos anteriores como sendo oriundos de uma complexa teia de relações causais que afluem de todos os lados para sua formação.

Pelo fato da burguesia apresentar o mundo em que domina como o melhor dos mundos, a classe média, aspirante a esse estrato social superior, não vê nada de errado na forma como a sociedade está organizada. Se crianças passam fome, não têm comida na mesa ou no futuro se tornarão marginais, a solução é simples: elas não deveriam nunca ter existido. A culpa é dos pais que as colocaram no mundo. Se trabalhadores pedem terra para cultivar enquanto latifundiários mantêm enormes propriedades improdutivas, o problema deve ser de quem?


REFERÊNCIAS:

MARX, Karl, ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. Tradução de Frank Müller. 3ª ed. São Paulo: Martin Claret, 2005.

texto de glauber ataíde, blog perfeição

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