Reflexão sobre Carlos Drummond de Andrade

Posted: sábado, 15 de agosto de 2009 by aldo_junior in Marcadores:
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Acho interessante os poemas de Carlos Drummond de Andrade diferente de outros poetas que escrevem a mesma coisa sempre, ele escreve tudo o que os outros não escreve.
ele é o oposto:

"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida."


Interessante também mas triste o seu pessimismo as suas crises existenciais , com a experiência de vida, viu que tudo que havia construído era ilusão.
E que a vida não tinha mais tanto valor , e nunca teve na verdade mas tardou a ver isso.

Na minha humilde opinião, pode até ser que um dia eu reconheça isso mas eu pretendo
olhar a vida com otimismo, e valoriza-la e vivê-la com toda a intensidade possível e ao mesmo tempo com toda a cautela.



Os Ombros Suportam O Mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação

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